Paróquia se prepara para acolher novo pároco

A Paróquia Santo Antônio, em Piranguçu, se prepara para a posse canônica do seu novo pároco, padre Paulo Adolfo Simões, que ocorrerá durante a Santa Missa no dia 21 de abril, às 19h, na Igreja Matriz. A Eucaristia será presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado – C.Ss.R.

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Artigo: Maria e o cuidado com o planeta

Ir. Afonso Murad
Fonte: Academia Marial – Santuário Nacional de Aparecida

Recentemente, o Papa Francisco publicou a Encíclica “Laudato si” (LS), sobre o cuidado da nossa “Casa Comum”. O título se baseia na primeira frase do “Cântico das Criaturas”, de São Francisco de Assis. Ele lança um apelo a toda a humanidade, para mudar de atitudes, a nível pessoal e coletivo. Uma verdadeira conversão ecológica! E, ao final deste documento, o Papa se refere a Maria com muito carinho. Vamos ler e meditar.

Maria, a mãe que cuidou de Jesus, agora cuida deste mundo ferido com carinho e preocupação materna. Assim como chorou com o coração trespassado a morte de Jesus, assim também agora ela se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo exterminadas pelo poder humano.

Maria vive, com Jesus, completamente transfigurada, e todas as criaturas cantam a sua beleza. É a Mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça (Ap 12,1). Elevada ao céu, Maria é Mãe e Rainha de toda a criação. No seu corpo glorificado, juntamente com Cristo ressuscitado, parte da criação alcançou toda a plenitude da sua beleza.

Maria não só conservava no seu coração toda a vida de Jesus, que guardava cuidadosamente (cf. Lc 2,51), mas agora compreende também o sentido de todas as coisas. Por isso, podemos pedir-lhe que nos ajude a contemplar este mundo com um olhar de mais sabedoria (LS 241).

O Papa Francisco também nos recorda a figura de São José. Com o seu trabalho e presença generosa, cuidou e defendeu Maria e Jesus e livrou-os da violência dos injustos, levando-os para o Egito.

No Evangelho, José aparece como um homem justo, trabalhador e forte. Mas a sua figura manifesta também uma grande ternura, própria de quem é verdadeiramente forte, atento à realidade para amar e servir humildemente. Por isso, foi declarado protetor da Igreja universal.

Também Ele nos pode ensinar a cuidar, pode motivar-nos a trabalhar com generosidade e ternura para proteger este mundo que Deus nos confiou (LS 242).

Que José e Maria nos inspirem para cuidar da água, do solo, do ar, das plantas, dos animais e dos seres humanos. Maria, mãe da Ecologia, rogai por nós!

Fonte: Revista de Aparecida

Artigo: Nossa Senhora Aparecida, modelo de um povo

Por padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.
Fonte: Academia Marial – Santuário Nacional de Aparecida

 A Santa perdeu a cabeça
Celebrar a festa de N. Senhora Aparecida é celebrar o coração amoroso de Deus que se manifesta em Maria. A história do encontro da imagem em 1717 é uma lição e um milagre. Pela narrativa do tempo sabemos que, depois de uma pesca sem resultado, encontraram o corpo de uma imagem e logo depois encontraram a cabeça. Como que foi pescada a cabeça tão perto do corpo da imagem sendo que poderia ter sido levada pela corrente? Podemos ver aqui uma lição de amor. Maria perde a cabeça quando vê seus filhos reunidos em torno de si. Logo após o encontro destas duas partes, corpo e cabeça de uma imagem de Maria, houve uma pesca abundante para servir o almoço do excelente Dom Pedro de Almeida Portugal, chamado depois de Conde de Assumar.

Ele se dirigia a Minas para a derrama do ouro, isto é, cobrar o ouro que se devia ao rei de Portugal. Além do milagre da pesca temos o milagre da devoção. Já é um grande milagre que aquele pequeno objeto de barro cozido, que é símbolo da Mãe de Deus, possa reunir tantos milhões de pessoas por ano. Certamente ninguém vai atrás do barro, da estátua, mas atrás do grande amor de Deus manifestado por Maria que acolhe seus filhos, filhos de Deus. Não se sabe por que a imagem foi jogada no rio. Certamente pelo costume de desfazer-se das imagens quebradas. Por respeito joga-se no rio. Sabemos porque foi encontrada: para dar aos pescadores uma pesca abundante e ao povo um lugar abundante de graças. Ela perdeu a cabeça ao ser quebrada por um acidente. Agora parece perder a cabeça quando vê seus filhos em grandes multidões vêm ao seu encontro. Ela é a Mãe que olha distante vendo seus filhos vindo de longe.

Mulher gloriosa
Ela é a mulher gloriosa que é perseguida, mas defendida por Deus, pois o dragão, isto é, todos os que são do mal, procura destruir essa Mulher (Ap 12,12ª). Esta é a imagem da Igreja perseguida que vê seus filhos serem vítimas do mal que entrou no coração das pessoas. A Igreja perseguida é sinal da vitória de Cristo sobre o mal. Além destes há os que a desconhecem e desprezam continuando ferir seu coração com a espada (Lc 2,13ª). A serpente do mal vomitou um rio atrás dela, mas a terra veio em seu socorro.

Significa aqui que a Igreja não fica fora do mundo, mesmo se perseguida, pois ela continua sua missão de acolher a todos para redenção. Maria é mulher do povo e continua a sê-lo, pois a ela o povo recorre. A Igreja, mesmo no meio das perseguições e contradições, continua sua missão. Ela está vestida de sol porque é Cristo que lhe dá brilho e vitalidade. Como seu Senhor, a Igreja, quanto mais sepultada, mais força de ressurreição manifesta.

Diante de Deus, por nós
Cristo é o mediador e o intercessor junto do Pai. Une todo seu Corpo que é a Igreja nessa missão. Ele não age sem a Igreja. Por isso temos os sacramentos. Na Igreja, a missão de Maria é rezar por nós, como o fazem todos os cristãos que vivem na terra e os que estão na Glória. Tudo o que é realizado, o é pelo Corpo de Cristo e para o bem de todo Corpo. Por isso ela pode ser chamada de mediadora e intercessora.

Sua missão é ser intercessora: sempre está diante de Jesus, o Rei esplendoroso, suplicando: “Salva meu povo” como a rainha Ester. Ela continua na terra através de sua intercessão. Ela perde a cabeça quando vê os filhos chegando a sua casa. Ela os acolhe com o sorriso de mãe feliz. (Vejam bem o sorriso que tem a imagem de N. S. Aparecida – a que foi encontrada no rio Paraíba). Nada sem Cristo e tudo para Cristo. Viva a Mãe de Deus e nossa.

Artigo: Maria, o gênero inocente da humanidade

Ana Alice Matiello
Fonte: Academia Marial – Santuário Nacional de Aparecida

mariaO olhar da Virgem é o único olhar verdadeiramente infantil, o único verdadeiro olhar de criança que jamais se fixou em nossa vergonha, em nossa desgraça… Para implorá-la bem, é preciso sentir sobre si este olhar… que a faz mais jovem que o pecado, mais jovem que a raça da qual ela mesma procede; e ainda que seja Mãe pela graça…é também a caçula do gênero humano. (Georges Bernanos).

 

É próprio da inocência o não pensar em si, ela acompanha o coração como uma sombra que não se deixa capturar. A inocência, grosso modo, muitas vezes confundida com ingenuidade, infantilidade, etc., é obviamente o oposto de tudo isso e está, com toda a certeza, acima de todas as boas intenções que podem nascer nos corações humanos a partir de suas experiências entre o bem e o mal, como diz o Apóstolo Paulo: “Examinai tudo: abraçai o que é bom” [1]. O que distingue a inocência de todos os outros atributos, seja de ordem estética (ingenuidade) ou de ordem ética (o bom), é que ela pertence ao mistério de Maria, a primeira humana depois de Eva que não viveu somente na inocência, mas foi ela própria a inocência. Com Maria a inocência entrou novamente no mundo. Como relata o Evangelho de Mateus[2]: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo”. Nisso, a Palavra também exorta-nos a não temer receber a Inocência por mãe.

A inocência é a arma mais doce e viva contra a astúcia, armadilha e cilada do “demônio”. Um coração cheio de desconfianças, maquinações, especulações, meios e fins tão presunçosos, será jogado para longe por um simples olhar da inocência, pois não há esperteza que consiga contaminá-la com a sagacidade do coração cheio de duplicidade. Mais difícil ainda é lhe causar qualquer dano, mesmo se mil e uma noites sejam vividas para este fim. Ela permanece… Imaculada!

A inocência longe de ser como a cegueira da maldade, é a única a ver a gravidade do mal não em termos competitivos mas gerador, pois a sua visão é fecunda. O que ela vê é simplesmente a possibilidade do amor onde ninguém mais o vê. A recusa categórica da possibilidade do amor, no seu grau mais elevado, é compreendida como o estado demoníaco da condição humana. Ou seja, a consciência de ter perdido um amor eterno torna-se um tormento demoníaco, e no ódio se volta contra o amor que lhe oferecera salvação. Tendo acolhido o amor eterno, Maria é a inocência que esmaga a cabeça da serpente: quanto mais ama, mais destrói a discórdia e a mentira do mal. Não há engenhosidade humana capaz de vencer seu doce olhar. Ver sua luz e não deixar-se amar por ele é pior ainda!

 

Ana Alice Matiello
Associada à Academia Maria de Aparecida. Mestra em Ciência da Religião – UFJF.

[1] 1 Tessalonicenses 5, 21.
[2] Mateus 1, 20.

Artigo: O Rosário – oração coroada de rosas e espinhos

Ana Alice Matiello
Academia Marial – Santuário Nacional de Aparecida

rosario_e_bibliaA prática de oração à Maria vem desde os tempos primórdios da Igreja, já era comum a recitação da palavra do anjo Gabriel: “Ave Maria! cheia de graça!” (Lc 1, 28), quando os cristãos desejavam venerar a mãe do Salvador. No entanto, é datada por volta dos séculos XII e XVI a evolução histórica do rosário. São Domingos (1170-1221) foi um dos maiores propagadores dessa prática de devoção. Mas é no século XV que temos o primeiro testemunho sobre a mudança do simples saltério da ave-maria para o saltério incorporado da meditação dos mistérios de Cristo. E em 1569 o papa Pio V, em sua bula Consueverunt romani Pontífices, “consagrou uma forma de rosário alcançado em um momento áureo da sua evolução, que substancialmente é a forma em uso nos dias de hoje”. (DM 1138).

O nome rosário vem do latim rosarius – relativo às rosas, e foi chamado assim devido à prática popular de coroar Maria com rosas no final do saltério. O valor espiritual do rosário consiste na característica de ser: uma oração simples e profunda. Uma oração contemplativa que educa o espírito humano à meditação dos mistérios da vida de Cristo, e sua intrínseca relação à compaixão de Maria nos momentos de alegria e dor. Uma oração catequética, pois apresenta e ensina, com um método simples, o núcleo do conteúdo da fé católica. Uma oração que respeita os ritmos da vida, uma vez que harmoniza a disposição corporal com o movimento do espírito que, por sua vez, produz frutos de paz e serenidade diante das tribulações da vida. Uma oração criativa que ajuda comparar os nossos sentimentos com os de Cristo durante a meditação de cada passo, desde o mistério da Encarnação até o mistério da Ressurreição. E, por fim, uma oração que introduz a liturgia por sua natureza comunitária, cristocêntrica e bíblica. É nesse sentido que o Papa Paulo VI diz no seu documento Marialis Cultus “O rosário é, por isso mesmo, uma prece de orientação profundamente cristológica” (MC 61).

Com as aparições de Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora de Fátima o rosário recebeu um olhar ainda mais vital, ainda mais urgente, ainda mais preciso! Os benefícios pessoais, comunitários e globais que se alcançam por meio dele têm revelado aos fiéis que a oração amorosa é graça abundante do mistério entre a mãe e o Filho em nossas vidas. Assim como as rosas têm seus espinhos, a coroa de rosas de Maria e a coroa de espinhos, que o nosso pecado deu ao seu Filho, se complementam numa só coroa – o Rosário.

 

Ana Alice Matiello   
Associada à Academia Marial de Aparecida e Mestra em Ciência da Religião -UFJF        

Artigo: A imitação da Virgem Maria

Con. José Wilson Fabrício da Silva, CRL
Portal Academia Marial – Santuário Nacional de Aparecida

MariologiaQual deve ser o comportamento ou o fruto de nossa devoção à Santíssima Virgem Maria? A resposta que podemos dar é a imitação de suas virtudes em primeiro lugar. Sem esta imitação, segundo a afirmação de alguns santos, não podemos ter verdadeira devoção à Maria Santíssima. Enganar-se-ia grandemente quem julgar-se fazer muito, recorrendo a Maria sem procurar espelhar-se nela.

É preciso imitar a sua humildade e suas outras virtudes. Sem isto, sempre se deve julgar que nada se tem feito, pois a verdadeira prova de amor que podemos dar a alguém é a fidelidade e a atenção a tudo o que o amado nos ensina. Maria deu uma ordem que pode santificar qualquer pessoa: “Façam tudo o que Jesus vos disser” (Jo 2, 5). Se imitarmos a ela, iremos ouvir cada palavra dita a nós pelo Salvador nos Evangelhos, procurando com todas as forças “guardar no coração” (Lc 2, 19) e “colocar em prática o que ouvimos” (Mt 28, 20)

Imitar a Maria é nunca perder de vista o nosso fim último (o céu), procurando aplicar-se nas práticas virtuosas, nas quais ela mesma nos deu o exemplo: O serviço da Caridade para com o próximo (Lc 1, 39), a prática da Oração que denunciava sua fé inabalável (At 1, 14), a Escuta da Palavra que demonstra seu terno amor a Jesus Cristo (Lc 2, 19) e viver em estado de Humildade profunda (Lc 1, 38), procurando sempre ser submisso à vontade de Deus em uma vida simples e silenciosa.

Celebrar a memória da Virgem Maria em todo o tempo litúrgico e lugar, não é para a Igreja um momento de despertar nos batizados uma estéril admiração, mas é uma pedagogia que procura conduzir-nos à prática das virtudes heroicas que a Mãe de Deus nos deu como exemplo.

Nossa Senhora elevou o ordinário da vida humana ao mais alto grau de perfeição, porque procurou conservar a força do Espírito Santo de Deus que estava sobre ela.

O Evangelista São Lucas nos apresenta dois fatos importantes sobre a vida de Maria: o primeiro que o Senhor estava sempre com ela (1, 28); e o segundo, que o Espírito Santo desceria sobre ela, e o poder do Altíssimo a cobriria com sua glória (1, 35). Nós também, pela graça do Batismo, somos envolvidos pelo “poder do Altíssimo” e nos tornamos “membros do Corpo místico de Cristo”, por isso, no ordinário de nossa vida somos convidados a imitar as atitudes da Mãe do Senhor – no qual pertencemos por herança batismal – para alcançarmos a coroa da justiça (II Tm 4, 8). Ela é incomparável a nós, por causa de sua pureza, onde jamais conheceu o pecado (Gn 3, 15), por motivo de sua missão de ser a mãe do Verbo (Jo 1, 14). Porém, em sua fé e vida, por ser criatura de Deus, é igual a nós em tudo, podendo assim ser modelo de fiel seguimento a Cristo para cada pessoa de fé.

Maria mostrou a sua humildade, apesar de sua tão elevada dignidade. Teve o cuidado de deixar escondidos no silêncio de sua casa os dons magníficos de Deus. A vizinhança da casa de Nazaré jamais ficou sabendo pela boca dela que seu amado Filho era Deus; que seu esposo São José era um homem casto, e, que ambos ouviram a voz do Arcanjo Gabriel. E, tão pouco sabemos os detalhes de como fora os três meses de serviços prestados por Maria na casa de Zacarias antes do nascimento de João.

Enfim, Nossa Senhora se esforçou por viver sempre uma vida oculta, fugindo de tudo aquilo que pudesse atrair-lhe elogios. Até mesmo Jesus procurou deixar a sua santa mãe protegida do orgulho social, quando disse a uma mulher que “levantou a voz no meio da multidão e exclamou: “Feliz o ventre que te trouxe ao mundo e os seios que te amamentaram”. Jesus de imediato respondeu: “Felizes, mais ainda, são os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (cf. Lc 11, 27-28). Santo Agostinho nos diz que nesta passagem bíblica a Virgem Maria foi louvada por Jesus duplamente porque foi apresentada como aquela que primeiro acreditou, depois gerou-o e continuou ouvindo a Deus, guardando a palavra em seu coração (Lc 2, 19).

A Virgem Maria não ignorou a grandeza dos privilégios com que fora enriquecida, porque no seu hino a Deus ela disse: Minh’alma engrandece ao Senhor, e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador… que fez em mim grandes coisas (Lc 1, 47.49). Porém, não deixou de ter humílimos sentimentos de si mesma, tendo sempre os olhares fitos no seu nada, não se lembrando das graças de Deus, senão para glorifica-lO e nunca se prevalecendo disto para colocar-se acima dos outros.

À luz dos poucos versículos dedicados à vida da Virgem Maria na Bíblia, vemos que sua humildade lhe mereceu a honra de ser escolhida para a Mãe de Deus, e, em seguida, elevada acima de todas as criaturas. No século XX Igreja procurou colocar no Concílio Vaticano II, cinco importantes cabeçalhos para a sua Doutrina sobre a Virgem Maria que não devemos esquecer, se quisermos meditar sobre sua missão na vida do povo de Deus: I) O papel da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no Mistério de Cristo e da Igreja. II) O papel da bem-aventurada Virgem na economia da salvação. III) A bem-aventurada Virgem e a Igreja. IV) A devoção à bem-aventurada Virgem Maria na Igreja. V) Maria, sinal de esperança e consolo para o povo de Deus em peregrinação. Com estes títulos vemos que a Mãe de Deus não é um tema sem importância e interesse para o cristianismo moderno. A Igreja procurou mostrar que sua admiração, emotiva e fervorosa, se esforça para tirar dos conceitos humanos adequadas afirmações, afim de aplicar ao Mistério da Salvação, procurando dar a conhecê-lo aos homens.

 

José Wilson Fabrício da Silva, crl
(Cônego Regular Lateranense – Membro da Academia Marial)

 

Bibliografia:

VATICANO II. Mensagens, Discursos e Documentos. 2ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2007.

COYLE, Kathleen. Maria tão plena de Deus e tão nossa. São Paulo: Paulus, 2012. págs. 46-47.

BÍBLIA SAGRADA. Tradução da CNBB. Brasília: Edições CNBB, 2012.

O Papa Francisco

Por Tácito Coutinho Tatá – Javé Nissi

Observando a Igreja hoje vejo que temos problemas sérios a resolver, mas problemas sérios nunca faltaram na vida da Igreja. Pode-se imaginar vida mais problemática que a dos primeiros cristãos, cercados de perseguidores por todos os lados? Ou as heresias dos séculos IV e V? Ou os anos sombrios da Idade Média em que a sociedade ainda não estava organizada?

A verdade é que, no fundo, a Igreja que Cristo fundou tem dois compromissos fundamentais e inseparáveis. O primeiro é estar ao lado dos humildes, foi assim que começou o cristianismo dando ânimo e esperança às massas que, no Império Romano, eram exploradas. O segundo é fazer a ponte entre o céu e a terra; que talvez seja a primeira missão da Igreja.

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Por isso “religião” vem de “religare”, religar. O pontífice é o “pontifex”, “construtor de pontes”. E o que devem fazer essas pontes, senão ligar o céu e a terra? Pensei no Papa…

Espera-se muito de um papa; provavelmente, espera-se demais. Todos nós confiamos que ele tem a unção e o apoio do Espírito Santo. Penso que, por mais hábil que ele seja em resolver problemas da atualidade, o mais importante é que em torno dele, existe uma certa “transparência”, uma “espécie de aura”, através da qual enxergamos a presença transformadora do sagrado em nossas vidas.

Era a isto, provavelmente, que se referia o Cristo quando disse a Marta: “Marta, Marta, tu te preocupas com muitas coisas; mas uma coisa só é necessária”. E é isto que se pode enxergar através dos gestos do Papa Francisco.

A vocação do cristão é a imitação de Cristo e, para fazer isso, temos de passar pelo Calvário. Imagino como tem sido a vida do Papa diante dos desafios que ele precisa enfrentar. Penso que o primeiro é ser Papa! Mas vem em seguida um verdadeiro rol de problemas – resumo da relação conflituosa entre o mundo moderno e o Evangelho, cujo guardião é a Igreja Católica. De fato, são muitos os problemas – inclusive num país como o Brasil, considerado um país católico.

O Papa Francisco deve e está dando atenção a cada um deles. Mas também é verdade que, quando se mencionam esses problemas, normalmente se está estabelecendo uma pauta que é ditada não pela Igreja, mas pela sociedade civil ou pelos que falam em seu nome – muitas vezes, pessoas que não têm relação com a religião. Situações difíceis e que exigem coragem e sabedoria…

Rezo pelo Papa Francisco…

Deus nos ama!

Tácito Coutinho Tatá – Javé Nissi

O primeiro mandamento ensinado por Jesus Cristo é amar o Senhor Deus, Pai eterno e todo-poderoso de todo o nosso coração, de toda nossa alma, de toda nossa mente e de toda nossa força – Mc 12,29s.

Se soubéssemos o suficiente sobre quem Deus é e o que Ele pode ser para nós, estaríamos prostrados, suplicando queArtigo_Tatá_DeusAma nos desse o privilégio de amá-Lo no máximo da nossa capacidade. Só pelo Espírito Santo podemos conhecer esse amor – Rm 5,5 e assim podemos amá-Lo e fazer desse amor a alegria da nossa existência. A maior expressão desse amor está em que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o único filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3,16.

Viver sem amar é não viver. Ninguém pode viver uma vida de paz, e alegria e de felicidade sem amar a Deus de toda sua alma.

O amor verdadeiro a Deus evita todo “amor” intruso que queira tomar o lugar de Deus ou que tenta dividir com Ele o nosso coração. É pelo amor que escolhemos o Deus da vida e rejeitamos todos os deuses da morte. Por amor, reagimos contra a violência, a injustiça, a mentira, contra tudo o que não é da vontade de Deus…

O Evangelho, a Boa Notícia é: Deus nos ama primeiro! – 1Jo 4,19. Deus não somente ama, ama primeiro! Isto é, teve a iniciativa de amar não somente ao criar o homem, mas também ao recriá-lo; na verdade, o homem disse não a Deus pelo pecado; nessas condições o Pai enviou seu próprio Filho feito novo Adão para redimir o primeiro Adão e sua linhagem. Deus Pai revelou assim a grandeza do seu amor!

O amor sincero e verdadeiro a Deus é radicalidade, é a atitude de se dar sem reservas ao Pai bondoso.

Rezo para que esse amor a Deus se reflita no amor verdadeiro aos irmãos que formam a comunidade onde estamos inseridos. Insistamos no amor!

Outubro: Missões

Tácito Coutinho Tatá – Javé Nissi

A Igreja é por essência uma comunidade missionária. Continua e prolonga a comunidade apostólica, instituída por Cristo para anunciar a Mensagem. Nascida da Palavra de Deus acha-se a serviço desta Palavra. Em sua qualidade de novo Israel, retoma e renova a missão do povo eleito em vista da salvação do mundo.

Artigo_Tatá_MissõesPelo batismo e pela fé, o cristão se torna membro da comunidade apostólica sendo chamado a abrir-se ao compromisso com a evangelização. Por isso nossa oração deve ser: “Venha o Vosso reino, cumpra-se a Vossa vontade”. Pertencer à Igreja de Cristo é simultaneamente uma graça e uma responsabilidade, havendo, para cada cristão, o dever de colaborar na sua missão. O Beato João Paulo II convidava-nos simplesmente a traduzir em atos a nossa vocação fundamental, “a nos tornarmos o que somos”, isto é, a desenvolvermos as consequências do nosso batismo.

Mas é bom lembrar que “nunca será possível haver evangelização sem a ação de pregar o Espírito Santo”. Foi depois da vinda do Espírito Santo, em Pentecostes, que os apóstolos partiram para “os confins da terra” iniciando a obra da evangelização da Igreja. É o Espírito que impele Pedro e desce também “sobre todos os que ouviam a sua palavra”. “As técnicas da evangelização são boas, obviamente; mas, ainda as mais aperfeiçoadas não poderiam substituir a ação discreta do Espírito Santo” – EN 75.

Mais do que nunca, é hora de um cristianismo irradiante, apostólico, missionário. É hora de organizar todas as forças cristãs em vista de uma missão evangelizadora direta, abrangente, incisiva, generosa, audaz à altura das necessidades. Falamos de “parresia”, o anúncio corajoso da Palavra de Deus que é acompanhado pelo testemunho de uma vida dedicada e se preciso acompanhada do martírio – Atos 2,29.

“Necessitamos de um novo Pentecostes! (…) Necessitamos sair ao encontro das pessoas (…) para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de ‘sentido’. Não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não tem a última palavra, que o amor é mais forte”… – D.Ap. 548.

A outra margem… – Marcos 4,35

Tácito Coutinho Tatá – Javé Nissi

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Um dia embarcamos (embarcamos realmente?) na aventura da fé, rumo a horizontes humanamente obscuros, cheios de riscos do mar. Embarcamos aceitando o chamado, engajando-nos no “projeto de Jesus”. Não foi da noite para o dia que o fizemos. Pode ter “fruto de um impacto, até emocional” de uma conversão ou foi resultado de decisões parciais, graduais, de compromisso crescente…

Passar “a outra margem” supõe uma mudança total de perspectivas. Significa sair das seguranças construídas “nesta margem”, superar os “critérios puramente humanos” e passar a viver da fé e de um amor que supere o mesquinho “para si mesmo” e comece a ser, de alguma maneira, “para aquele que morreu e ressuscitou” por todos.

“A outra margem” não é só a vida eterna em sua realização definitiva; é também a vida presentArtigo_Tatá_Outra margeme vivida em função de eternidade, ou seja, segundo o modelo de homem destinado a uma vida com Deus.

Esta fé e este amor, e o modo de viver que deles brota, por sua própria força intrínseca, serão testemunho e “boa noticia” para o mundo, porque serão mais fortes que o mal. A fé é um potencial dignificador do homem já nesta vida.

A fé, a esperança e a caridade são realidades não somente credoras de uma vida no mais além, mas convocam também a realizar uma história humana mais digna. A resposta a esta convocação já é passar a outra margem.

Ao encarar opções difíceis e decisivas, ao encarar de fato a decisão de “passar a outra margem”, podem aparecer tentações do medo que afeta a fé.

Quando os discípulos experimentaram o poder de Jesus o medo deu lugar a um sentimento novo: o temor: “Eles sentiram um grande temor”. Sentimento de “uma Presença” e reverência, que incluí uma profunda confiança num poder salvador. Quem se decidir de fato a “passar a outra margem” perceberá que o medo dará lugar às audácias da fé.